Eu não vou aqui pensar no que seria esse algo “bombástico”, mas teria que ser absolutamente surpreendente. E essa coisa nova e surpreendente não precisaria necessariamente modificar qualquer conceito básico do seriado que, sempre o mesmo, faz sucesso há quase 20 anos. A expectativa era grande. A decepção foi equivalente. Após mais de 100 versões de um roteiro constantemente modificado (foi o que eu li em algum lugar), o filme é tão bom quanto um episódio mediano da TV (foi o que também li em algum lugar e concordo). Este filme, definitivamente, não faz par com os melhores e mais clássicos episódios da série, como, por exemplo, “Homer, o herege”. Simpsons, o filme é mais do mesmo, segue as mesmas fórmulas básicas de um episódio básico, que a análise semiótica define e explica muito bem. Mas será que isso é realmente um problema?
Quem se interessar, cultive a idéia de que o caráter “low-profile” do filme não seja propriamente um defeito de roteiristas pouco imaginativos ou uma aposta na bilheteria certa de um público fiel que não seria lá muito dado a releituras fílmicas extravagantes de uma mitologia que eles tanto amam. Para isso, seja usado como argumento a apresentação da película, em que o próprio Homer Simpson (junto da família, vendo no cinema um filme de Comichão e Cocadinha), indignado, pergunta: para que pagar para se ver algo que pode ser visto de graça na TV? Começa então a apontar para os expectadores na sala de cinema, que estão sendo enganados pela “picaretagem” do filme, terminando por apontar para a câmera, ou seja, para nós mesmos… Nesse caso, o aspecto decepcionante (em termos do que há quase vinte anos se espera de uma fita dos Simpsons) e mesmo “comercial” do roteiro seria mais uma das sutis porém corrosivas auto-ironias, altamente sarcásticas e metalingüísticas, que fazem a melhor cara da série.
Será que os produtores e roteiristas teriam essa fineza de espírito? Juro que duvido… mas fica aí a dúvida.
Obs. 1: Apesar do conjunto negativo do filme, ele é dotado de algumas sacadas das melhores, como Bart escrevendo no quadro-negro “Eu não vou baixar ilegalmente este filme”, ou Homer e o seu “porco-aranha”.
Obs. 2: Sobre o caráter semiótico de Os Simpsons, veja-se o depoimento de Matt Groening (o criador) para o livro Os Simpsons e a Filosofia: “Muitos roteiristas talentosos trabalham no programa, metade dos quais vem de Harvard. E quando você estuda a semiótica de No País dos Espelhos, ou assiste a todos os episódios de Jornada nas Estrelas, tem que fazer isso compensar; por isso, você joga um monte de referências de seus estudos em qualquer coisa que fizer na vida.”

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