Não se tratam de filmes musicais, mas filmes cuja melodia está no roteiro, na fotografia, na montagem, filmes com uma personalidade musical, digamos assim. Antes de Partir é um desses pequenos grandes filmes. Seria, é claro, a maior das banalidades dizer que esta fita é um elogio à vida, uma declaração de amor à vida, à amizade, ao mundo, uma fita que mostra a terceira idade com dignidade, o como que a vida só acaba quando se morre, que o importante é ter o espírito jovem e nunca desistir dos seus sonhos, nunca é tarde pra (re)começar, que nunca se deve desistir de lutar contra as adversidades, etc (nossa, isso parece sinopse de contra-capa de DVD). Mas o filme não tem nada do épico sentimental que tais palavras podem sugerir. Ele não é piegas de maneira alguma – eis sua grande qualidade: pegar um tema assim e tratá-lo de maneira bem sutil e com classe.
Para ser franco, este filme não tem nada de mais. Por isso é que ele é interessante. Não estará, nem de longe, entre as melhores produções do ano, da década, etc. Mas é um belo filme, para ser ver numa tarde de domingo – sem qualquer desqualificação relativa ao contexto. E a dupla Jack Nicholson / Morgan Freeman funcionou muito bem – apesar de, ou talvez por, serem atores tão diferentes na escolha de papéis. Nicholson é sempre o “bad mothafocka”, enquanto Freeman se faz incondicionalmente de bom velhinho, companheiro, condescendente, gentil – ele já foi até Deus… (em “Todo Poderoso”). Os diálogos entre os dois ficaram muito bem afinados, um “tour de force” bastante sutil. Enfim, não é um filme para ser lembrado eternamente, mas não será também logo esquecível.

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