Os capítulos em desenho animado da saga – mais recentes – não apresentam o mesmo conteúdo filosófico; pelo menos, nada muito original ou diferente do que já foi tratado. Mesmo assim, podem apresentar algum – ou muito – interesse para os fãs da série e para espectadores sem preconceitos contra as coisas “infantis” ou de “mero entretenimento”. Primeiramente, foi produzida uma série de 25 animações curtas, e desenhadas “à mão”, para a rede de TV paga Cartoon Network, entre 2003 e 2005, intitulada Clone Wars (que trata dos acontecimentos ocorridos entre o episódio II e o III da série live-action).
Agora, é lançado nos cinemas o longa The Clone Wars, espécie de continuação daquela série (antes que falem das incoerências cronológicas da obra de Lucas, estude-se a natureza diferencial do tempo do mito em qualquer obra séria que analise a mitologia clássica). Em outubro, estreará – mais uma vez no Cartoon Network – uma nova série animada, homônima e também computadorizada, com episódios mais longos (30 minutos cada um), que dará seqüência a este longa, por sua vez. A narrativa deste filme não se apresenta como uma obra fechada e acabada, mas como um capítulo em media res mesmo (o que caracteriza também as partes com atores de “carne e osso”).
Algumas referências míticas e históricas continuam sendo feitas: os traços dos personagens levemente inspirados na pintura egípcia, sem contar o turbante da jovem “padawan” de Anakin, Ahsoka Tano, ou a mistura de colar e ombreira dos soldados clones, também de design faraônico. Também é criativa uma das naves espaciais, que se movimenta como uma água-viva (o desenho de máquinas inspiradas na natureza é algo muito presente na cultura humana). É o encontro entre o extremo passado e o extremo futuro, sendo o tempo em “Star Wars” de natureza mítica (ou seja, sem qualquer referência cronológica em relação ao nosso próprio tempo). O encontro entre o homem e o animal, no cosmo onírico.

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