Seria a ameaça zumbi uma alegoria profética para a ameaça terrorista? Assim como nos filmes de George A. Romero, aqui os zumbis se espalham como uma peste incontrolável e apocalíptica. É o grande medo americano da ameaça à segurança e integridade nacionais (tão duramente conquistadas em sua história): o caos, absoluto e irreversível caos. No final do filme, o indefectível “zombie walk” – a marcha de zumbis pela ponte (do Brooklin?) dirigindo-se à “Big Apple” – pode alegorizar também os movimentos de imigração, outro terror arquetípico da psique norte-americana. Apesar de tudo, a fita de Fulci não se concentra nas significações políticas. A história está mais para um daqueles jogos de vídeo-game categorizados no gênero survivor: pessoas isoladas tentando escapar a qualquer custo do famoso cerco zumbi (“zombie siege” – bela expressão).
As grandes particularidades deste filme podem estar no aspecto “gore” (explícito) da violência, mas uma violência classicamente caricata, uma coisa à lá Zé do Caixão. A maquiagem dos zumbis é de primeira. Particularmente interessante é o fato de eles, aqui, andarem de olhos fechados. A trilha sonora, o figurino, o penteado e o trabalho dos atores trazem aquela delícia brega dos anos 70, uma coisa à lá Garganta Profunda. A fotografia em profundidade de campo deixa alguns planos bem bacanas também, além de que algumas cenas são muito bem boladas: a luta entre um zumbi e um tubarão debaixo d’água é impagável. O resto são outros elementos que não podem faltar num “zombie movie”: uma shotgun calibre 12, por exemplo. Quer melhor arma para enfrentar as corjas de mortos-vivos? Se um dia os mortos caminharem sobre a terra para comer a carne dos vivos, a primeira coisa que eu procurarei será uma boa carabina…

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