Este filme é como uma canção pop: gruda na nossa cabeça. Se Em Paris parecia um vídeo-clipe, esta última produção é exatamente um “vídeo-clipe”. É particularmente recomendável aos corações apaixonados (não interessa por quem, mesmo que seja por ninguém). A fortíssima presença de Paris como cenário vivo, realmente animado de luz, sombras, concreto, metal e pessoas, a cidade como personagem-testemunha e confidente das “canções” de amor é uma grande gostosura também presente neste filme. É um daqueles momentos em que o cinema desperta o nosso olhar para a paisagem que nos cerca. Sair da sala de exibição, à noite, após ter visto esse filme, tem um efeito poeticamente revigorante, o mesmo que senti após Um Beijo Roubado (de Wong Kar-Wai). A “educação sentimental” por que passam os personagens também tem um delicioso efeito catártico.
Com tudo isso, a realização de Honoré é vigorosa, mas… não é inventiva (e nem precisa ser, estou fazendo apenas uma constatação – embora falte uma real criatividade no cinema contemporâneo, daquelas que criam escola). “Chansons d’Amour” é um filme gostoso como os melhores clássicos do cinema francês (de Renoir a Godard); sentimos nele a paixão e a disciplina de um jovem cineasta a estudar, homenagear e tentar encaixar os seus pequeninos pés nas pegadas grandes dos mestres, trilhando aos saltos o caminho que os seus antecessores fizeram em passos curtos. É bom e ruim ao mesmo tempo as novas promessas do cinema possuírem um caráter tão “vintage”. Quem gosta da Nouvelle Vague vai adorar os filmes de Christophe Honoré. Mas quem espera algo realmente novo, um novo gênio criador, bem… continuará esperando.

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