Agora, dentre os desacertos do filme, ficarei apenas em um, talvez o mais grave – e desnecessário, o que só faz por aumentar a sua gravidade. As grandes super-produções de hoje, graças aos avanços da tecnologia dos efeitos especiais computadorizados, costumam trabalhar muito as cenas de ação usando planos bastante abertos, com vistas a aumentar o arrebatamento emocional (catarse) e a sensação de testemunho real (verossimilhança) por parte do espectador. Explico. Tomemos como exemplo uma hipotética cena de luta entre dois personagens. Quando não é possível ensinar os dois atores a lutar kung fu, ou colocar na tela dois dublês computadorizados fazendo acrobacias sobre-humanas, tudo se resolve facilmente por uns truques de montagem e de enquadramento em planos fechados.
Hoje em dia, num “blockbuster” de Hollywood, essa solução pareceria certamente constrangedora. No entanto, mais constrangedor é utilizar quase que o tempo todo efeitos de CG (computação gráfica) visivelmente pobres. Há duas ou três cenas neste filme, pelo menos, ridiculamente toscas; piores do que as do Homem-Aranha de Sam Raimi. Sendo assim, por que não poupar dinheiro e fazer efeitos especiais à moda antiga – mais concreta e menos longe da “realidade”, digamos assim? Ainda que as impressões causadas não fiquem muito de acordo com o que normalmente se vê nas telas de nosso tempo, se formos tomar o conjunto do cinema (incluindo os clássicos), a fita em questão não fará muito feio.
Mas, por suas escolhas, acredito que a aventura-solo de Wolverine perde bastante dignidade. Uma pena.

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