É claro que o diretor em questão não tem nem 0,1% da classe dos diretores tradicionais de “toy movies”: Spielberg, Lucas e herdeiros – dentre estes, Peter Jackson e Guillermo Del Toro. A “mise en scène” de Bay é extremamente irritante; mas, talvez sejam meus olhos que já ficaram demais enferrujados – como o velho Jetfire (o avião SR-71 Blackbird do filme). Novamente, dentro daquela lógica que mistura as “soap operas” infanto-juvenis do Disney Channel com as séries animadas do Jetix para garotos, o estilo de Bay pode até encontrar lá alguma explicação à guisa de justificativa.
Mas será que a maneira de se construírem vídeo-clipes de cinco minutos cabe para filmes de duas horas e meia de duração? Não creio. O primeiro terço deste Transformers (que ocupa um tempo já considerável) é bastante difícil de assistir sem se ficar remexendo na cadeira ou olhando para qualquer lugar que não seja a tela (repito, crianças e adolescentes de hoje podem ser de diferente opinião). Isso porque o filme tenta, aqui, elaborar uma “narrativa”, uma historinha que sirva de preparação e base para o filme, depois, finalmente revelar a única razão a que veio.
Mas, sinceramente: com Michael Bay não dá. Graças aos malévolos Decepticons, o filme torna-se bem mais agradável depois de uns 50 minutos de exibição, quando o couro começa a comer de verdade e a narração se reduz ao que somente exige um bom quebra-quebra – quaisquer que sejam os seus motivos. Mesmo assim, a praga Bay não perde a chance de inserir momentos mais “emotivos” à lá Armageddon (1998). Contudo, mais uma vez, levando em conta que este filme é um desenho / brinquedo (que não se leia aqui qualquer desqualificação), desta vez passa.

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