Só podemos intuir. Acredito que Mann jamais se irmanará com os mestres supra-citados. Não obstante, se o cineasta continuar se esforçando, poderá conquistar a posição de, digamos, o “clássico dos nossos tempos”. Não é muito, mas já é alguma coisa. E, além do mais, quem foi que disse que todos os filmes precisam ser eternos? Inimigos Públicos (EUA, 2009) é um filme bastante agradável.
O rigor da mise en scène (a fotografia, a direção de arte, os figurinos), a pouca presença de música incidental (ah, o silêncio!) e a direção exata dos atores fazem com que o filme adquira o charme próprio daHollywood clássica. Porém, grandes inconsistências: Inimigos Públicos foi captado em Digital e acabou saindo com uma cara de DV muito além da conta. Alguém me diga o que é que o estilo “guerrilla movie” tem a ver com a época e o universo mostrados?
A impertinência estética, a incoerência entre a forma e o conteúdo é o único pecado imperdoável em qualquer forma de arte. Não é que Mann precisasse ter filmado em preto-e-branco e editado na moviola, mas existem alguns limites, não? Mas não quero ficar reclamando. Prefiro me concentrar no “clássico contemporâneo” de Miami Vice (2006). Cada um na sua praia. Clint Eastwood e, talvez, os irmãos Coen são os realizadores de hoje com mais potencial de ascender às esferas dos clássicos atemporais. Quanto a Mann, vamos ver o que ele ainda vai fazer.

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