Primeiramente, os personagens aqui estão mais delineados e elaborados, os acontecimentos vão sendo mais bem engendrados e se desenrolam com mais naturalidade; em suma, o filme alemão é mais narrativo e menos “de tese”. O que não causa tanta espécie, visto que o original americano tinha apenas 44 minutos de duração (este tem 102). Contudo, o que mais chama a atenção é a não-pequena diferença no desfecho de ambas as histórias. A moral é a mesma, mas o telefilme de 1981 fecha de uma maneira menos… digamos assim, traumática… do que a versão atual.
Fico agora curioso para saber qual dos dois “causos” mais se aproxima do real – que aconteceu na Cubberley High School em Palo Alto, Califórnia, em abril de 1967. O fato é que existe um artigo (“The Third Wave”) escrito pelo próprio professor que conduziu o experimento da “Onda”, chamado Ron Jones – o qual, de acordo com o IMDB, tornou-se autor profícuo indicado até para o Prêmio Pulitzer. Correrei atrás. Trivia: Ron Jones faz uma ponta em Die Welle, como cliente em uma cafeteria.
De qualquer maneira, a transposição da fábula para a Alemanha atual não deve ser vista como justificativa para as idéias que defendem a relação entre o nazismo e as exclusivas condições sócio / histórico / econômico / culturais da Alemanha. No filme, os adolescentes germânicos do século XXI são iguais aos de qualquer país do mundo globalizado. A bem entender as idéias do filósofo Adorno (no livro “Educação e Emancipação”), as condições do surgimento da barbárie são muito mais comuns e sutis do que gostaríamos de admitir. É ficar de olho.

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