Considerei só aqueles que tiveram lançamento (de algum tipo) no Brasil este ano. Segue.
1 – Corra! (“Get Out”, Japão / EUA, 2017, dir.: Jordan Peele)
O terror como tem que ser: desenvolvendo-se em um crescendo, com uma atmosfera de claustrofobia psicológica altamente angustiante. Mas também marca presença aqui a velha violência sanguinolenta e catártica: existe algo neste filme que vem de Aniversário Macabro (“The Last House on the Left”, 1972, dir.: Wes Craven), clássico do grindhouse. E o melhor: é um tapa na cara do racismo.
2 – Moonlight, Sob a Luz do Luar (“Moonlight”, EUA, 2016, dir.: Barry Jenkins)
O poeta Manuel Bandeira declara no Madrigal Melancólico: “O que eu adoro em ti é a vida”. Completo com Drummond: “A vida apenas, sem mistificação” (Os ombros suportam o mundo). Alguns filmes nos encantam dessa mesma maneira simples, singela. Não sem alguma dose de tristeza. Mas é assim que as coisas são. Cinema-poesia. Cinema-vida.
3 – Lucky (idem, EUA, 2017, dir.: John Carroll Lynch)
O poeta Manuel Bandeira declara no Madrigal Melancólico: “O que eu adoro em ti é a vida”. Completo com Drummond: “A vida apenas, sem mistificação” (Os ombros suportam o mundo). Alguns filmes nos encantam dessa mesma maneira simples, singela. Não sem alguma dose de tristeza. Mas é assim que as coisas são. Cinema-poesia. Cinema-vida.
Sim, é o mesmo comentário que fiz para o filme anterior, copiado e colado. A ele acrescentam-se: o (en)canto de cisne de Harry Dean Stanton; a atuação engraçadíssima e igualmente poética de David Lynch.
4 – Blade Runner 2049 (idem, EUA / Reino Unido / Hungria / Canadá, 2017, dir.: Denis Villeneuve)
Nunca esquecer que os irmãos Lumière podem ter inventado o cinematógrafo, mas quem inventou o cinema foi Georges Méliès. Os grandes cineastas, de Carl Th. Dreyer a Stanley Kubrick, não se esqueceram disso. Ridley Scott, em suas duas obras-primas – Alien, O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner, O Caçador de Androides (1982) também não. Denis Villeneuve mostra que aprendeu bem a lição. Cinema-magia.
5 – Z: A Cidade Perdida (“The Lost City of Z”, EUA, 2016, dir.: James Gray)
James Gray evoca o Romantismo alemão, o Romantismo da geração sturm und drang (tempestade e ímpeto), o Romantismo do Werner Herzog de Aguirre, A Cólera dos Deuses (1972) e Fitzcarraldo (1982), para contar a história – real – do coronel britânico Percival Fawcett, um gênio romântico que mergulhou de cabeça (e se dissolveu) no coração das trevas amazônico, no começo do século XX.
6 – Eu Não Sou O Seu Negro (“I Am Not Your Negro”, Suíça / França / Bélgica / EUA, 2016, dir.: Raoul Peck)
Se Samuel Fuller definiu o cinema como um campo de batalha, este documentário é uma barricada absolutamente necessária em tempos de “alt-right” e barbáries do tipo – só para ficarmos no contexto dos EUA. Para aprender, de uma vez por todas, que vidas negras (black lives) importam sim; preconceito pode nascer de ignorância, mas a persistência nele é falta de caráter. Ódio, simplesmente. Sem mais.
7 – Personal Shopper (idem, França / Alemanha / República Checa / Bélgica, 2016, dir.: Olivier Assayas)
Este filme e os três próximos (e últimos) desta lista são representantes daquele cinema cruel, que nos golpeia violentamente com a vida e com o mundo, e nos joga ao chão, pisa-nos e cospe sobre nossa carcaça imunda. Personal Shopper é uma história de impasses paralisantes, com ação de um sobrenatural inconsolavelmente natural, casual como o universo, ambíguo como o ser, caprichoso como os deuses pagãos.
8 – Bom Comportamento (“Good Time”, EUA, 2017, dir.: Bennie e Josh Safdie)
A crueldade sarcástica de um Refn (Pusher, 1996) ou de um Coen (Queime Depois de Ler, 2008), associada ao senso de desespero de um Lumet (Um Dia de Cão, 1975). Cinema-tensão, droga estimulante / alucinógena no limite da overdose. A mais significativa relação entre forma (estilo) e conteúdo: fotografia, montagem e trilha sonora que esticam ao ponto de ruptura a experiência do cinema, o cinema enquanto experiência.
9 – Joaquim (Brasil, 2017, dir.: Marcelo Gomes)
Marcelo Gomes não demonstra ser favorável, neste filme, à ideia do “imprima-se a lenda”. Joaquim não tem a ambição historiográfica de registrar como tese a “vida” de Joaquim José da Silva Xavier, o inconfidente. Mas é, logicamente, um filme carregado de História, cuidadosamente escovada à contrapelo.
10 – Manchester à Beira-Mar (“Manchester by the Sea”, EUA, 2016, dir.: Kenneth Lonergan)
Tragédia e culpa. Tratadas com uma mise en scène rigorosa na fotografia, montagem, trilha sonora, atuações. Um filme de latências: por trás de todos os seus elementos parece haver tensões mal-reprimidas, cuja revelação não estamos certos de realmente querer. Mas estão lá e aparecerão de um jeito ou de outro.
Também valem muito a pena: 11. Certas Mulheres (“Certain Women”, EUA, 2016, dir.: Kelly Reichardt); 12. Colossal (idem, Canadá / EUA / Espanha / Coreia do Sul, 2016, dir.: Nacho Vigalongo); 13. Silêncio (“Silence”, México / Taiwan / EUA, 2016, dir.: Martin Scorsese); 14. Doentes de Amor (“The Big Sick”, EUA, 2017, dir.: Michael Showalter); 15. Detroit em Rebelião (“Detroit”, EUA, 2017, dir.: Kathryn Bigelow).
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