Riders of Justice

O divertido Riders of Justice (Dinamarca, 2021, dir.: Anders Thomas Jensen) não é um anti-Desejo de Matar (“Death Wish”, EUA, 1974, dir.: Michael Winner). O filme de ação dinamarquês que vem sendo elogiado pelas plateias e pela crítica internacionais (ainda não tem data de estreia no Brasil) está mais para um “Desejo de Matar” às avessas. O que isso quer dizer, exatamente?

Quer dizer que o longa de Jensen (especializado em realizar blockbusters em seu país) não vai contrariar os fundamentos ideológicos dos filmes tradicionais de vingança do “cidadão de bem”. Pelo menos, não a fundo. Riders of Justice problematiza, insere elementos moralmente complicadores e trata com certa ironia a lógica do gênero. Mas, no final, reafirma-a.

Assim, se você busca um tratamento impiedosamente sarcástico das fórmulas dos filmes de ação e, principalmente, do poder catártico que essas mesmas fórmulas exercem no público (pelo menos, na fatia “homem branco hétero cis” do público), recomendo fortemente que vá ver um outro ótimo filme de ação lançado este ano: Nobody (EUA, 2021, dir.: Ilya Naishuller).

Riders of Justice está mais para o terceiro ótimo filme de ação lançado este ano, até agora: Wrath of Man (EUA, 2021, dir.: Guy Ritchie). Isto é, algumas expectativas serão quebradas, no sentido de que as coisas, no mundo “real”, não são tão simples, tão claras, tão maniqueístas quanto vemos nos filmes com Charles Bronson. Mas, tudo descontado, os bons ainda são bons e os maus ainda são maus.

E o bem prevalece, mesmo que por vias tortas e não em uma forma inteiramente pura. Falando em forma, o único elemento que revela que o filme não foi feito em Hollywood é a língua falada pelos personagens. Aliás, barreira que sabemos intransponível para as plateias estadunidenses (mesmo que não haja quaisquer outras), e não duvido que demorará para que se faça um remake exclusivamente para os EUA. Veja o original.

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