A nova fita de David Fincher parece seguir à risca os manuais de produções “artísticas” a serem produzidas pelos selos para filmes “alternativos” dos grandes estúdios de Hollywood. Trata-se dos melhores manuais – posto que não passem de manuais. É um filme a ser exibido nas faculdades de cinema e de comunicação audiovisual. Benjamin Button é um best-seller cinematográfico. Atribua-se o valor que se quiser a esse fato, contanto que se o reconheça. Não obstante, o que interessa chamar à atenção aqui é que este filme é um bom best-seller. A começar pela premissa fantástica e por boa parte das suas consequências, muito bem trabalhadas. Em segundo lugar, é um filme muito competentemente realizado, nos aspectos técnicos; isso não quer dizer muita coisa para a abordagem que eu proponho, mas trata-se de um filme virtuosamente profissional – isso deve ser lembrado.
Em terceiro lugar – o mais importante –: Benjamin Button disfarça bem a sua estrutura convencional, por baixo de um acabamento que acaba por destacar mais a concepção criativíssima da premissa tirada de um conto de F. Scott Fitzgerald. O conjunto do filme tem uma apresentação sutil na tela. Embora se torne cansativo em alguns momentos, nós não nos sentimos excessivamente marketeados, manipulados pelos clichês semi-artísticos de uma produção oscarizável. Apesar de reconhecermos que tais clichês estão ali presentes, o filme de Fincher não é, absolutamente, tão irritante e “picareta” quanto Desejo e Reparação (2007, dir.: Joe Wright), o típico “oscarizável” do ano passado. Tal equilíbrio, eu creio que se deva a David Fincher, que decidiu aqui deixar de lado o caminho da violência que andava palmilhando desde Alien 3 (1993) até Zodíaco (2007).

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